Alta CosturaA alta costura é, sem dúvida, a parte mais luxuosa, rica e glamourosa do mundo da moda. Desfiles com lindas modelos, roupas de marca caríssimas e eventos grandiosos em cidades como Milão e Paris fazem desse meio um sonho para muitos profissionais de diferentes áreas. Provavelmente, a “engrenagem” mais importante dessa grandiosa máquina seja a alta-costura: é a criação de peças de roupa, de forma artesanal , feitas com exclusividade e com alta elaboração.

Ela existe há mais de cento e cinquenta anos e tem em seu nascimento o nome de Charles Frederic Worth. Considerado o pai da alta-costura, ele foi o primeiro, por exemplo, a usar modelos em amostras de suas criações, enquanto o hábito da época era usar cabides. O real motivo de ser considerado como tal, foi ter sido o autor da primeira "maison" de alta-costura, solicitada por pessoas de alto poder aquisitivo para a criação de peças exclusivas. Uma maison de alta-costura é, no sentido literal, uma casa de alta costura. Worth foi o primeiro a ter uma casa (empresa) de confecção artesanal de roupas exclusivas, compradas por pessoas da alta sociedade.

Desde então, a alta-costura foi sempre vinculada ao luxo, riqueza e elegância. Esses três valores, aliás, principalmente a elegância, são heranças de um governante francês, Luís XIV. Luís XIV esteve à frente da França em um dos períodos de maior prosperidade do país. Sua característica marcante era sua preocupação constante em mostrar o glamour da realeza francesa. A moda também foi altamente incentivada nessa época, para que a corte e a burguesia francesa tivessem roupas que demonstrassem riqueza. Foi no governo de Luís XIV que nasceu o salto alto (inventado para ele próprio, por ser baixinho) e o champanhe como símbolo de luxo e grandeza. Luís XIV foi um grande entusiasta da alta-costura e foi um período de prosperidade para esse mercado, tendo, inclusive, o início do primeiro jornal falando sobre moda: o Mercure Galant, lançado em 1672.

A alta-costura continuou sua história de riquezas e luxo e chegou aos nossos dias com um organizado modo de funcionamento. Só para se ter uma ideia, o termo “alta-costura”, em todas as línguas, é protegido judicialmente, para que somente membros que cumpram alguns pré-requisitos possam usá-lo em suas grifes. Os detentores desse termo são os membros da “Câmara Sindical da Alta-Costura”. A instituição, criada em 1868, controla os profissionais que podem ser considerados de alta-costura.

As pessoas que podem ser chamadas “estilistas da alta costura” já foram em grande número; hoje, estão em número reduzido. Em 1946, eram 106 maisons associadas e que podiam usar o referido título de "alta-costura". Atualmente, são apenas 12 marcas (chamadas casas oficiais) associadas. Essas casas são chamadas maison, pois são produtoras de peças de alta-costura. Para ser considerado maison, é preciso preencher alguns requisitos, como:

Cada maison precisa empregar, no mínimo, 20 artesãos especializados. O endereço da marca precisa ser entre as avenidas Champs Elysées, Montaigne e Georges V, situadas em Paris;

- Os modelos têm de ser artesanais, feitos à mão. Ou seja, nada de costura à máquina;

- A sede da maison precisa ter, ao menos, 5 andares e dispor de um espaço para desfile;

- A marca deve apresentar duas coleções ao ano (estações primavera-verão e outono-inverno), em Paris, e cada uma deve ter, no mínimo, trinta e cinco modelos originais para o dia e para a noite;

- As clientes podem encomendar peças sob medida (modelos exclusivos).

Seguindo esses requisitos, as maisons associadas são:

  • Alexandre Matthieu;
  • Alexis Mabill;
  • Atelier Gustavo Lins;
  • Christophe Josse;
  • Christian Dior;
  • Christian Lacroix;
  • Chanel;
  • Dominique Sirop;
  • Elie Saab;
  • Franck Sorbier;
  • Giorgio Armani Privé;
  • Givenchy;
  • Joseph Font;
  • Jean Paul Gaultier;
  • LeFranc; Ferrant;
  • Maison Martin Margiela;
  • Maison Rabih Kayrouz;
  • On Aura Tout Vu;
  • Stephane Rolland;
  • Valentino.

Uma peça produzida por esses nomes varia entre 35 mil a 100 mil euros, sendo que a maioria das compradoras que desembolsa uma quantia dessas usa o vestido uma única vez e depois doa a um museu. A atitude, aparentemente assustadora, se explica porque doando a peça, elas ganham descontos para a compra do próximo vestido.

Já faz algum um tempo que a alta-costura não consegue se sustentar completamente. O elevado valor das peças reduz a um número bem pequeno a quantidade de compradores. Existem, mais ou menos, 200 mulheres, no mundo todo, que adquirem esse tipo de vestuário. Por esse fato, essas marcas diversificam o ramo de atividade para outras opções, também ligadas à beleza, como perfumes importados, cremes, sabonetes, etc.